Cuiabá, Segunda-Feira, 06 de Setembro de 2010.
» 19/09/2008
- PESQUISA CUIABÁ SETEMBRO
» 17/11/2008
- Industrialização e desigualdades regionais
» 08/07/2008
- COMO A AMAZONIA É VISTA POR QUEM VIVE NELA
 Celebritite aguda
Por:  Ivan Lessa
Fonte:  Estadão

Começando com uma não-celebridade: Christopher Lasch. Historiador, norte-americano. Em 1979, ele esboçou um diagnóstico da sociedade dos Estados Unidos como uma "cultura do narcisismo".

Passados 30 anos, dá perfeitamente para se afirmar que a moléstia - e não há dúvida tratar-se de moléstia - se espalhou pelo mundo inteiro. Lasch ponderou ainda que esta cultura se caracteriza por uma relação simbiótica entre celebridade, mídia e audiência, o que, por sua vez, leva a uma definição narcisista de personalidade.

Antes de passarmos a bola para Naomi (é oxítona, hem) Campbell, fiquemos mais um pouquinho com o historiador. Escreveu ele o seguinte: "A mídia dá substância e, assim, intensifica os devaneios de fama e glória, encorajando a pessoa comum a se identificar com astros e estrelas e a odiar o rebanho da multidão, o que torna cada vez mais difícil o processo de aceitar a banalidade da existência do dia-a-dia".

O mundo inteiro, via televisão, tem o seu equivalente aos velhos programas de calouros, só que agora incrementados. Alguém na distinta plateia se lembra do rádio e A Hora do Pato? Os calouros de Ary Barroso? Flávio Cavalcanti e seus jurados amestrados? Multipliquem por mil, acrescentem cores e aí estamos: exatamente onde estávamos.

Outro dia mesmo, uma senhora britânica, beirando os 50 anos, de aspecto e apresentação classe operária, abriu a boca num desses programas milionários em audiência, cantou razoavelmente em inglês uma miserável canção francesa do musical Les Misérablese em menos de 24 horas virou fenômeno mundial. Ou seja, celebridade. As devidas aspas ficam por conta da disposição de cada um.

Uma mocinha também de classe operária - quase um xingamento aqui no Reino Unido -, Jade Goody, participou de um Big Brother mais notório que os outros. Foi por uns tempos a mulher mais odiada do país. Exemplo vivo de ignorância e falta de modos. Levou sua celebridade a outras versões do programa. Até na Índia. Acabou diagnosticada com câncer no útero. Vendeu e promoveu sua doença, para fins beneficentes, claro, casou-se, foi capa de tudo quanto é revista, primeira página de tudo quanto é jornal, ganhou programa próprio de televisão e, muito moça ainda, morreu.

Coitada. Mesmo. Sem sacanagem. Foi, e ainda é, das maiores celebridades recentes da Grã-Bretanha. Já se fala num musical a respeito de sua vida, a estrear dentro de alguns meses.

O povão, zi bigui pípul, ulula, bate palmas e pede bis. Há uma grande fome, uma enorme sede de celebridades. A "celibrocacia" está à solta. Ou a "celebritite". Como quiserem. Reações fervorosas ao fenômeno. Descobriram que qualquer idiota pode ser celebridade. Todos então à fila de inscrição nesse ou naquele outro programa de calouros. Há de tudo para todos os tipos de imbecis.

Não esquecer de forma alguma o que as celebridades 3 estrelas, como restaurantes do Guia Michelin, andam espalhando por aí em matéria de besteira. Brangelina, ou o casal Pitt-Jolie, praticamente anexou a Namíbia.

Madonna se apropriou da kabbalah confundindo tudo, além de ensaiar novas investidas adotivas na República do Malauí. Sharon Stone, cruzando as pernas, ensaia tolices inomináveis no Oriente Médio e na forma como a China trata o Tibete. Tola. O Tibete pertence a Richard Gere, como todos sabem.

Nem vou tocar, que me falta estômago, nos roqueiros. Prefiro encerrar estas divagações com minha celebridade predileta - e de muitos brasileiros também - que é a Naomi "Oxítona" Campbell. Sozinha, ela inventou e patenteou a agressão contra os serviçais mais próximos, ou à mão, da personal trainer à comissária de bordo.

Taca Ficha, Naomi, taca ficha! Calibra a mira e celebriza para valer esse troço aí!

Ivan Lessa é colunista

Deputados tupiniquins Dia Internacional do Trabalho
A redescoberta da literatura Trunfo improvável
Educação, ambiente e verdade
PAC Cuiabá
Mudanças...
A dengue pode matar você!
Boa Noite!
A Cuiabá de ontem, hoje e sempre
Amazônia: conservar e desenvolver
Café com ostras ajuda a vender?
Destruição da riqueza
Ganhar na Mega Sena exige planejamento
Gestão de Pessoas, Projeto de Vida e Carreira
Os buracos de Pagot
Como evitar uma recessão
Carlos Brito:umrevolucionário
Carta de despedida de Gabriel Garcia Marques
Estudo: Retrato das desigualdades
R. Professora Tereza Lobo, nº 319. Consil
    Cuiabá, MT. CEP 78048-670. Fone: (65) 3619-2630.
Copyright 2007 Folha Pesquisa. Todos os direitos reservados.